Menos de 24 horas depois de deixar Águas de Lindóia, ainda me sinto sob o impacto de tantos acontecimentos, sentimentos, emoções. Sinto falta dos meus parceiros, das risadas, dos abraços, dos momentos de troca, dos olhares desejando força, sucesso, sorte.
Nenhum de nós é mais o mesmo depois desse seminário!
Estivemos em contato com mil pessoas, mediando debates, criando situações de reflexão, apagando incêndios, lidando com energias poderosas. Angústias, medos, frustrações. Esperanças renovadas, "altas expectativas".
Manejo, gerenciamento. Ação, reflexão. Aprender fazendo.
Foi desgastante. Foi intenso, foi pesado. Foi "muito". Me senti como uma corda de violão sendo afinada: esticando, esticando, esticando. Em alguns momentos questionei tudo, me senti desrespeitada, invadida, sobrecarregada.
Mas pude falar disso tudo e encontrar escuta. Aliviar a tensão.
No meio disso teve de repente um mergulho, um instante no ar antes de mergulhar, uma cerveja gelada, um céu estrelado, um sol de rachar, uma lua de endoidecer. Um copo de vinho e até mesmo um cigarro atrás do outro.
Entre tantas reuniões conseguimos rir muito e cantar. Como foi bom redescobrir este prazer.
Senti saudade da minha casa, da Lara. Mas foi bom sair e viver outra realidade tão diferente.
Ganhar novos amigos; começar a fazer parte da vida de outras pessoas é uma grande emoção.
Nós vivemos juntos algo tão nosso que só nós podemos aquilatar.
Muitos daqueles gestores (e professores também, com certeza) se sentem ameaçados, invadidos por toneladas de burocracia inútil, acuados por uma violência real que pode lhes tirar a vida. Convivem em ambientes hostis, de baixa ou nenhuma expectativa, desiludidos por décadas de promessas não cumpridas. Sentem-se perdidos diante de tantos problemas. Alguns tem como meta apenas sobreviver mais um ano, a mais um projeto. Acostumados ao desrespeito das autoridades, têm dificuldade para respeitar e confiar em seus pares e alunos.
Enfrentando esses desafios lá fomos nós, em alguns momentos nos sentindo um exército de Brancaleone.
É emocionante fazer parte de uma equipe que vem se preparando, estudando, construindo junto o passo a passo dessa caminhada para realizar um projeto inovador, idealista.
Fico pensando em seu futuro, não mais como um plano e um roteiro no papel, mas como expectativa concreta de tantas pessoas que pra mim agora tem cara, corpo, voz e esperanças.
Foi muito difícil sim, pra todo mundo. Mas se me perguntassem se eu preferia não ter vivido isso eu responderia sem pestanejar que não trocaria essa experiência e oportunidade por nada. Valeu muito. Aprendi muito, cresci muito. Me sinto feliz por tudo isso.
Sonhar não custa nada, mas demolir os pilares de uma ponte possível pro futuro pode ter um preço alto demais.
Meu desejo é que "as autoridades responsáveis" tenham consciência, sejam capazes de refletir e mudar sua prática. E que assinem logo esse contato!
CRIAR
Há 16 anos
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